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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Memória: IRMÃ SANTINA RIOLLI (1914-1976)




Religiosa italiana, SANTINA RIOLLI nasceu em Milão em 17 de agosto de 1914 e faleceu em Belém (Pará), em 13 de janeiro de 1976. Filha de familia humilde, estudou em escolas públicas da Itália, formando-se em professora em 1932, e no ano seguinte ingressa no Instituto das Irmãs de Caridade das Santas Bartoloméa Capitânio e Vicença Gerosa, recebendo votos perpétuos em 1936. Chega ao Brasil em 1947, iniciando atividade religiosa em São Paulo até 1950, quando, a convite do padre Aristides Piróvano, transfere-se para Macapá para trabalhar na recém-criada Escola Doméstica de Macapá (antes Ginasio Feminino, atualmente Escola Estadual Santina Riolli).


Em 1966 retorna a Macapá e trabalha no Hospital Geral, recebida com muito carinho por suas ex-alunas. Em 1977 viaja para a Itália em férias e, no retorno, em Belém, insiste em ficar no Preventório Santa Terezinha. Em 12 de janeiro de 1976, ao descer de um veículo, cai e sofre uma fratura na base do crânio. Dois anos depois de convalescência vem a falecer em 13 de janeiro de 1978.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Personagem: D. ARISTIDES PIRÓVANO (1915-1997)


Dom Aristides Pirovano nasceu em Erba, Província de Como e Arquidiocese de Milão, no dia 22 de fevereiro de 1915; faleceu em 3 de fevereiro de 1997. A sua infância foi marcada pelos compromissos escolares e vivida numa família cristã. Ao chegar a sua casa, aos 17 anos de idade levou um choque pelo falecimento de seu pai, vítima de atropelamento. Encaminhado para exercer trabalhos manuais para auxiliar a economia doméstica, começou a descobrir a dureza da vida, os desníveis sociais. Nesse exato momento desabrochou nele a vocação para a vida sacerdotal e decidiu ingressar no Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras - PIME, com sede em Milão. Concluiu o currículo filosófico e teológico ordenando-se padre em 20 de dezembro de 1941. Não podendo partir para as missões por causa da guerra, ficou na espera forçada, defrontando-se com as tragédias que assolavam o país. Seu amor pela liberdade foi o motivo de se insurgir contra as formas de violência, integrando-se ao grupo dos "partigrami" que se dedicava a salvar vidas e ajudar os injustiçados. Foi preso e teve a sorte de ser protegido pelo Cardeal Schuster, que o soltou com recomendação de não continuar nessa luta.

Com o término da guerra, aceitou o convite do papa para atender as populações da América Latina, junto com o Pe. José Maritano, e o pe. Attilio Garré. Fixou seu coração na Amazônia, suas sugestões foram acolhidas pela direção geral do PlME que aceitou o compromisso de destinar seus missionários para o Estado do Amazonas e o recém-criado Território do Amapá. No dia 29 de maio de 1948, chega a Macapá, acompanhado de pe. Arcângelo Cerqua e no dia 19 do mês seguinte chegavam os padres Vitorio Galliani,  ngelo Bubani, Carlos Bassanini, Luiz Vigano, Mário Limonta, Lino Simonelli, Jorge Basile e o irmão Francisco Mazzoleni. Foi assim que o Pe. Aristides Pirovano mereceu sua nomeação de Superior dos Missionários do Amapá. O Território com uma vasta extensão de terras, era assistido espiritualmente pelos padres José Beste e Hermano Elzink, ambos idosos. 
Com a chegada desse reforço, melhorou o atendimento às populações distantes que pediam a presença dos padres. 

O grupo não poupou energias e se dedicou à evangelização, à educação e à formação da família. Vieram outros para participar do trabalho:  ngelo Négri e Simão Corridori em 15.12.1948; Pedro Locati e Antônio Cocco em 18.12.1948, que se espalharam por todos os quadrantes do Amapá enquanto os amapaenses assistiram a esses homens de batina, carregando tijolos, fazendo massa, construindo igrejas, batizando, crismando e casando. Foi por esse trabalho dedicado à promoção humana que se formou uma nova circunscrição eclesiástica na Amazônia. Aristides Pirovano organizou paróquias em lugares estratégicos; designou os párocos; construiu o Seminário "São Pio X"; apoiou o governo na contratação das irmãs para a Escola Doméstica e Hospital Geral. Criou clubes esportivos, cinema, jornal, rádio e o pensionato São José
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Comandou tudo isso, primeiro como superior dos Missionários, nomeado em 29.05.48 como Administrador Apostólico em 14.01.1950 e como Bispo prelado em 21.07.1955. Registra-se também o seu trabalho e dedicação aos hansenianos da Colônia de Marituba que mereceu os elogios das autoridades paraenses. No dia 2 de abril de 1965 deixa o Território e assume o cargo de Superior-Geral do PlME em Roma. Dom  Aristides Pirovano faleceu no dia 3 de fevereiro de 1997.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Personalidade: NUNES PEREIRA (1892-1985)


Nunes Pereira, em 1958, entrevistando o mestre Julião Ramos e esposa.

Indianista e escritor maranhense, MANUEL NUNES PEREIRA nasceu em São Luis em 26 de junho de 1892, e faleceu no Rio de Janeiro-RJ, em 1985. Percorreu, em seus 40 anos de técnico do Ministério da Agricultura, toda a Amazônia, estudando, pesquisando. É uma das grandes autoridades em Antropologia amazônica. Interessou-se cedo pela literatura oral de algumas tribos indígenas na Amazônia,.
                       
Nunes Pereira foi veterinário do Ministério da Agricultura até a sua aposentadoria e teve alguns de seus opúsculos científicos editados pela Div. de Caça e Pesca do M.A. (O pirarucu, A tartaruga verdadeira do Amazonas e O peixe-boi da Amazônia, tendo sido este último artigo científico publicado, em 1944, no Boletim do Ministério da Agricultura). Escreveu diversos livros, sendo a sua obra mais conhecida Moronguetá - um decameron indígena, conjunto monumental de pesquisas, apresentado por Thiago de Mello (dois tomos), onde constam reproduções de páginas de cartas a Nunes Pereira emanadas de cientistas sociais como Roger Bastide e Claude Lévi-Strauss. Com esses estudiosos o antropólogo maranhense-amazonense travou contato pessoal, quando da passagem deles pelo Brasil. Carlos Drummond de Andrade escreveu, no Jornal do Brasil, uma crônica sobre o autor de Os índios maués, um dos primeiros pesquisadores mestiços brasileiros - era cafuzo, descendente de índios, negros e brancos - a obter reconhecimento científico internacional.

Entre 1957 e 1958 esteve em Macapá e interior do Amapá, realizando pesquisas sobre o universo cultural ampaense, colhendo várias informações que foram publicadas em suas obras e artigos para jornais. Um dos assuntos predominantes foi o marabaixo, e o universo cultural indigena.

Obras publicadas: Baira e suas experiências (1940); Curt Nimuendaju, síntese de uma vida e de uma obra (Belém, 1946); Etnologia amazônica (1940); Moronguetá, um Decameron Indigena (2 volumes, Rio, 1967)Os indios Maué (Rio, 1954); Panorama da Alimentação Indigena (Natal, RN, 1964);



 A cultura indigena foi um dos assuntos predominantes nas pesquisas de Nunes Pereira, no Amapá

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Memória: ROCQUE PENNAFORT (1919-1984)



            ROCQUE DE SOUZA PENNAFORT nasceu na cidade de Afuá (Pará) em 28 de novembro de 1919 e faleceu em Macapá em 2 de junho de 1984. Filho de Raimundo de Souza Pennafort e Ana de Souza Pennafort, descendentes de nordestinos que vieram para a Amazonia explorar a borracha. A história dos Pennafort no Oiapoque começa em 1919, quando seu tio Francisco conheceu o rio. No ano seguinte retornou com sua turma ao lugar que denominaram de Sibéria, acima da foz do riok Pantanari. Francisco mandou fazer uma “derrubada” e construiu um barracão no qual obrigou seus familiares e pescadores. Retornou à ilha Viçosa, onde a maioria dos Pennafort e seus amigos os trouxe para fundar  o pequeno povoado. Com a chegada do engenheiro Gentil Norberto, designado para fundar a Colônia do Oiapque, mais tarde Nucleo Colonial de Clevelândia, os Pennafort receberam indenizações das benfeitorias e desocuparam as terras. O retorno ao Oiapoque aconteceu em 21 de junho de 1921, quando seu tio Francisco acerta com  dr Gentil para contratar colonos.

            Embarcou seus familiares ao navio Oiapoque, onde se encontravam Ana com seu filhos Rocque de 9 anos, José e Norberto, inclusive o capitão Raimundo, pai de Rocque, desembarcaram no Oiapoque a 23 de junho. Depois de navegar durante dois dias, iniciaram a construção de suas casas, cabendo a seu pai o lote nº 2. Era o nascimento da vila de Clevelândia do Norte, com a construção da escola onde o Rocque estudou até  o terceiro ano primario. Teve sua ida igual a todo jovem interiorano, ajudando seus pais na lavoura e na pesca. No ano de 1927, com apenas 15 anos de idade, foi admitido como servente da Escola de Clevelãndia, aí permanecendo até 1934, quando se alistou no serviço militar. Nessa ocasião fez estágio nos Correios e Telegrafos como telegrafista e, em 1935, já era o titular do Correio de Clevelândia do Norte.

            Em 1946 recebe a incumbencia de prestar assistencia às usinas de luz de Oiapoque, Clevelandia, Taperebá e Vila Velha do Cassiporé, instalou o serviço de auto-falante e o primeiro cinema de Oiapoque. Em 1949 é designado prefeito e, nesse cargo, se conheceu o espetacular Rocque telegrafista, enfermeiro, mecânico, piloto de embarcação, técnico agricola, instrutor e professor. Em 5 de setembrto de 1963 assume a Superintendencia do Abastecimento do Território Federal do Amapá, onde permaneceu atgé 1966. Aposenta-se em 1967, e em 1968 assume a prefeitura der Mazagão, permanecendo  até 1973. Faleceu em 1984.


domingo, 2 de outubro de 2016

Memória: BENTO MACIEL PARENTE



O português BENTO MACIEL PARENTE foi o primeiro donatário da CAPITANIA DO CABO DO NORTE, criada em 1637. Desconhece-se o dia de seu nascimento. Sabe-se que ele faleceu em 12 de fevereiro de 1642, quando estava prisioneiro dos holandeses, a caminho de Pernambuco. Em 18 de julho de 1621, e é promovido a capitão-mor do Pará por atos de bravura, entre eles as expedições bem sucedidas contra os invasores do Cabo do Norte. Em 23 de maio, em atendimento às denuncias feitas por Maciel Parente às coroas portuguesa e espanhola, chega ao Cabo do Norte com Luis Aranha de Vasconcellos, com a missão de fazer o reconhecimento do “rio das Amazonas” nas imediações do Cabo do Norte, e expulsar os inimigos.

Ao partir para o forte holandês de Mariocai, as tropas de Luis Aranha são cercadas pelo inimigo. Bento Maciel, Pedro Teicxeira, Ayres Chichorro e Salvador de Melo, com 70 soldados e mil indios flecheiross, vão em auxilio de Aranha de Vasconcelos. Dividindo-se o grupo em duas partes, segue Pedro Teixeira com um grupo pela margem direita do Amazonas. Na margem esquerda encontram-se abandonadas outras fortificações holandesas. Em Mariocai conquistam e incendeiam as defesas, e ali foi levantado o forte de Santo Antonio de Gurupá. Em 30 de agosto de 1623, Parente recebe, da junta de Guerra do Conselho das Indias, reunida em Lisboa, a missão de expulsar invasores da região do Cabo do Norte.

Em 1626 (8 de agosto) recebe a incumbência direta do rei Filipe IV, de Portugal e Espanha, de explorar o rio Amazonas. Em 1637 (14 de junho), recebe do mesmo rei a Capitania do Cabo do Norte, criada nesta mesma data. Em 27 de junho é nomeado governador do Estado do Pará, a quem a terras do Amapá estavam anexadas. Em 1638 (27 de janeiro), após receber do rei espanhol a posse da Capitania, chega a S. Luis, instalando, em 27 de fevereiro, em Almeirin, a sede da nova Capitania.

            Em 1º de dezembro de 1640 é restaurado o reino português, após 60 anos de dominio espanhol, com a aclamação de D. João V, da dinastia de Bragança, mas Bento Maciel só sabe da noticia em junho de 1641. Em 25 de novembro de 1641 uma esquadra holandesa de 19 embarcações, enviada pelo principe Mauricio de Nassau-Siegen, chega em São Luis. Parente é feito prisioneiro e enviado a Pernambuco. Não resistindo à viagem, devido às torturas, falece em 12 de fevereiro de 1642