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terça-feira, 30 de agosto de 2016

Memória: LA CONDAMINE (1701-1774)



Explorador e pesquisador francês, e o primeiro  europeu a descrever o fenômeno da Pororoca no rio Araguary, CHARLES-MARIE DE LA CONDAMINE nasceu em Paris em janeiro de 1701 e faleceu em fevereiro de 1774. Seu nome está ligado à história e geografia amazônica, pela viagem feita em 1743, descendo o rio Amazonas “desde o lugar em que começa a ser navegável até a sua embocadura”. Aos 34 anos de idade participou, destacadamente, de uma das expedições enviadas ao Peru, destinadas a solucionar as controvérsias entre Cassinianos e Nesotonians, a respeito do achatamento do elipsóide terrestre.


Após os trabalhos da expedição, resolveu regressar à Europa descendo o Amazonas, o que fez, seguindo o caminho então mais difícil e desconhecido. O relato da viagem foi feita em três publicações, das quais a que mais de perto interessava à Amazônia é a “Relation abréjée d'un voyage dans l'interieur de l'Amerique Méridionale, depuis la côte de le mer du Sud, jusqu'aux côtes du Brésil & e de la Guiane, em descendant la revière des Amazones...”, traduzido somente em 1944 para  a lingua portuguesa, com o titulo de Viagem na América Meridional, descendo o Rio das Amazonas” (Biblioteca Brasileira de Cultura). Essa edição continha três apêndices. La Condamine, além de remeter à França uma grande variedade de plantas produtoras de quinino, uma das quais é, por isso, a Chiuchona of officinalis Condeminea, tornou conhecida na Europa a borracha, sob o nome de caucho e resina elástica, demonstrando alumas de suas utilidades. Ele morreu com 73 anos, em 1774.


sábado, 27 de agosto de 2016

Memória: JORGE HURLEY (1883-1956)



Historiador e jurista e ex-Intendente de Macapá, HENRIQUE JORGE HURLEY nasceu em Natal (RN) em 17 de outubro de 1883, e faleceu em Belém em 28 de abril de 1956. Alistou-se em 1º de junho de 1898 num batalhão de Infantaria sediado em Natal, tendo chegado ao posto de sargento e feito exame prático para alferes, com aprovação. Obteve baixa em 1900. Em 11 de fevereiro de 1901 assenta praça na Brigada Militar do Pará, no posto de Segundo Sargento, passando a 1º sargento em 1902, e logo a sargento-ajudante. Depois de passar pelo posto de alferes é, em setembro de 1903, promovido a 1º tenente e am janeiro de 1905 ao posto de capitão. Em 1907 encerra a vida militar, tornando-se advgado em Belém. Sempre ligado ao jornalistmo, trabalhou um bom tempo n'a Provincia do Pará. Em 27 de maio de 1911 é nomeado juiz substituto da Comunidade de Baião, logo deixando, para servir a Secretaria Municipal de Educação de Belém.


Em 21 de março de 1914 volta à carreira da Justiça, sendo nomeado promotor público de Curuçá. Em 16 de março de 1916 é nomeado promotor publico de Macapá, onde tem atuação paralela, importante como a colaboração com artigos interessantes, de cunho histórico, publicados no jornal CORREIO DE MACAPÁ. Em 10 de julho de 1916, por interseção de Hurley, o tenente-coronel JOVINO DINOÁ doa um prédi, de sua propriedade,o localizado no centro de Macapá para funcionamento da justiça de Macapá, no mesmo local do antigo Fórum, onde atualmente funciona a OAB do Amapá. Em 21 de novembro de 1921 toma posse como intendente de Macapá, em substituição a Ernestino Borges, que faleceu em 16 de novembro de 1926. Seu governo vai até agosto de 1926. A partir de 1930 passa a residir no Pará. Escreveu as seguintes obras: Traços Cabanos e História do Brasil e do Pará

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Memória - ALEXANDER VON HUMBOLDT (1769-1859)




Frederico Alexander von Humboldt, naturalista e geógrafo alemão, nasceu em Berlim em 14 de setembro de 1769, e faleceu na mesma cidade em 6 de maio de 1859. A partir de uma viagem cientifica, realizada em todo o mundo, uma companhia do médico e também botânico Aimé Bompland, Humbold esteve na America Central, estudando a fauna e a flora da região. Em seguida na América do Sul, atravessando os Andes até Bogotá. Percorrendo grande parte da região do alto Amazonas, foi Humboldt quem estabeleceu as coordenadas geográficas exatas do encontro entre os rios Amazonas e Orinoco, chegando à região do Amapá. Retornou à Alemanha em 1804, levando cerca de 60 mil espécies de plantas, além de um vasto material cientifico.

domingo, 21 de agosto de 2016

Memória: SACACA


Mais conhecido como Sacaca, RAIMUNDO DOS SANTOS SOUZA foi carnavalesco e estudioso (empírico) das plantas medicinais do Amapá. Nasceu em Macapá em 21 de agosto de 1926, e faleceu em Macapá em 19 de setembro de 1999. Filho de Maximiano Antonio de Souza e Joaquina Emiliana dos Santos. Seu conhecimento, mesmo empírico, sobre plantas medicinais, o tornou famoso até mesmo no exterior. Aos 13 anos apanhava ervas para a empresária Sara Roffe Zagury aliviar as dores que sofria, em virtude de uma erisipela. Foi a própria Sara que apresentou o garoto Sacaca ao cientista francês PAUL LE COINTE, em sua passagem pelo Amapá, dizendo que “era um menino curioso, parecendo um sacaca”, uma espécie de gíria índia que significava “pajé”, “senhor da floresta”.

A partir desse dia ele passou a ser conhecido apenas pelo nome Sacaca, acompanhando o naturalista francês diariamente, escolhendo as plantas, as folhas, as raízes e suas aplicações na medicina. Aos 17 anos passa a trabalhar com outro cientista, Waldemiro Gomes, uma vez que Le Cointe regressou para a França. Trabalha também na Panair do Brasi, no período da Segunda Guerra Mundial, de 1942 a 1945, quando ela foi extinta. Nesse mesmo ano ingressa na Prefeitura de Macapá como fiscal de obras. Depois é colocado à disposição do Campus Avançado da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro em Macapá, dirigido, nos anos 70, pelo engenheiro florestal Nilde Ceciliano Santiago.

Assim, passou seus conhecimentos para os engenheiros florestais sobre a flora e a utilização das árvores e plantas da selva regional. Esse trabalho efetuado por Sacaca no Projeto Rondon foi encaminhado para a referida universidade. Tempos depois, por ocasião da visita do reitor daquela Universidade, de nome Arthur, Sacaca foi procurado pelo mesmo reitor que tinha vontade de conhece-lo. Convidado, participou do 39º Congresso da Sociedade Botânica do Brasil, realizado em Belém (Pará), recebendo certificado de participação.



Sacaca casou-se com Madalena Ramos de Souza, que lhe deu os filhos Maria da Silva, Germano (falecido), Marilene, José Carlos, Lídia Maria, José Antonio, José Aluízio e Armstrong. Aposentou-se pela Prefeitura Municipal de Macapá, onde exerceu diversos cargos e missões nos setores da Educação, Saúde e Serviços Sociais. Foi escolhido “Rei Momo” em 1975, permanecendo nessa função até sua morte, em 1999. Desportista, torcedor do Esporte Clube Macapá, exerceu a função de massagista dos atletas de futebol, voleibol, basquetebol e natação, conquistando dezenas de títulos de campeão. Foi sócio fundador da União dos Negos do Amapá (UNA) e com atuação destacada, proferindo palestras sobre os temas defendidos pela entidade e sobre a flora amazônica, em diversos estados do Brasil.

É autor das obras As Ervas na Medicina Caseira (1989); Receituário de Ervas Medicinais (1990) e Cura pelas Plantas Medicinais na Região Amazônica (1995). Participou de uma reportagem no Globo Rural sobre plantas medicinais, falando sobre o amapazeiro e o uso do leite extraído da planta para cura da tuberculose, com repercussão nacional.

Sacaca foi sempre estimado por toda a população amapaense que o procurava sempre em busca de “garrafadas” ou receitas para cura de suas mazelas. Moreno, grande, gordo, bonachão, sorridente, sempre seguiu pela vida distribuído simpatia, amenizando os males, brincando com as crianças e ganhando admiração e respeito de todos. Em sua homenagem, o Museu de Plantas Medicinais recebeu seu nome. Dentro do museu existe uma estátua de Sacaca, sentado num banco, para lembrança perpétua dos moradores de Macapá.


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

FLIP GUARANÁ, A HISTÓRIA



            O primeiro refrigerante fabricado em Macapá, pelos irmãos Moisés Leão Zagury, Isaac Jaime Zagury e José Zagury. A fórmula foi desenvolvida pelo farmacêutico José Zagury, em 1950. A fábrica foi inaugurada em 6 de junho de 1950 e fechada em 31 de dezembro de 1974. O Flip Guaraná era um refrigerante de sucesso absoluto em Macapá, tanto pelo fato de que não tinha concorrentes locais, como também pelo gosto característico do guaraná. Foi, na época, considerado um investimento audacioso.

            As campanhas publicitárias eram avançadas para a época Uma delas ficou marcada e era repetida com muita frequência sempre que um copo era quebrado. Era um spot com menos de 10 segundos.  Na época não se tinha idéia do que seria uma televisão. O rádio era o senhor absoluto das audiências. E radialista tinha o mesmo status de galã, artista ou coisa parecida. O spot começava com o som de um copo quebrando; em seguida uma voz grava, que perguntava:

            “Quebrou? Flip dá outro”. O resto era informação sobre como adquirir o Flip Guaraná e como ganhar um copo com a marca do refrigerante. E no final, o slogan: Flip Guaraná é guaraná no duro. Também surgiu, com o tempo, o Flip-Ton, uma deliciosa versão da água tônica, a Flip Cola, um guaraná mais escuro e com sabor diferente, imitando a Coca Cola.



            Durante 24 anos de existência (1950-1974) a fábrica era mantida pelo irmão Isaac Zagury que dedicava muito tempo para a empresa, com a ajuda de Casemiro. José Zagury, o criador da fórmula, preparava e aperfeiçoava a formula, criando outros produtos que culminaram com a Laranjada Flip. Em geral o Flip Guaraná era seco e não era muito doce, como os guaranás de outros Estados. Tinha gente, amante do álcool, que misturava o refrigerante nas bebidas fortes, o que “reduzia” o teor alcoólico sem alterar o sabor da bebida.

            A semente do guaraná vinha de Maués, Amazonas; depois de beneficiada era transformada em extrato fluido até formar uma solução semipastosa e, só então seguia para a fabricação do produto. As dificuldades eram muitas e, por isso mesmo, o Flip Guaraná não foi exportado para outros Estados, porque mal dava par abastecer o mercado interno. Na realidade, a garapa vinha de São Paulo, o rótulo e a estampa do Rio de Janeiro. O engarrafamento era quase artesanal: usava-se um pedal para encher as garrafas; era uma máquina já ultrapassada em relação aos grandes centros de fabricação.



            Mesmo com os sucessos de vendas, os lucros continuavam pequeno, em razão do pouco investimento industrial que se fazia, pois até a água tratada era conseguida com muita dificuldade. O preço do produto era tabelado pelo preço do concorrente. A produção era igual ao consumo. No começo eram produzidas 50 caixas por dia. Depois adquiriram outra máquina seminova, comprada em Belém-PA, a produção dobrou para 100 caixas-dia. Passados alguns anos, Moysés  foi ao Rio de Janeiro e encontrou, na fabrica de cerveja Caracu, uma máquina que estava sendo vendida em perfeito funcionamento e bem mais moderna que as existentes aqui. Moyses passou um mês recebendo instruções sobre o funcionamento e manutenção.

            Como tinha certa intimidade com a mecânica, decidiu que ele mesmo montaria a máquina, que quadruplicaria a produção: 200 caixas/dia. Mas montar esse equipamento em Macapá, sem o apoio de uma equipe de mecânicos, foi uma aventura pioneira. Moysés só contava com a ajudada do motorista do caminhão de entrega. Foi nessa arriscada operação de montagem, que ele perdeu um dos dedos.


            A produção aumentou, mas a importação da matéria-prima continuava sendo um espinhoso e oneroso caminho. Alem disso, a concorrência aumentava o poder de fogo. Vieram o GuaraSuco, a Coca Cola, o Guaraná Vigor e uma porção de outras marcas. Ficou difícil aguentar essa concorrência e não havia outra alternativa, senão fechar a fábrica, o que ocorreu em 31 de dezembro de 1974, para tristeza dos consumidores fiéis.


terça-feira, 9 de agosto de 2016

WALDEMIRO GOMES (1895-1981)



Cientista, escritor e jornalista paraense, seu nome completo era WALDEMIRO DE OLIVEIRA GOMES. Nasceu em 4 de dezembro de 1895 em Belém, e faleceu em 21 de agosto de 1981 em Macapá (Amapá). Fez seus estudos em Portugal e diplomou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, especializando-se em Botânica Médica, Parasitologia, Química e Física Médica. Em 1916, com apenas 21 anos, passa a assessorar o médico Gaspar Vianna, no Laboratório de Histologia e Quimica Bacteriológica do Rio de Janeiro. Com a morte de Gaspar, viaja para Portugal com seus pais e frequenta escolas lusas, obtendo certificados especializados de Antropologia Cientifica e Fisiológica, Agricultura, Sericultura, Apicultura, Extração de Principios Ativos Vegetais e Histologia dos Vegetais.

Participou do III Congresso Sul-Americano de Química, realizado no Rio de Janeiro, apresentando trabalhos referentes aos timbós e produtos ictiotóxicos, recebendo menção honrosa, aprovada por unanimidade dos congressistas. Em 1916 assume a presidência da Companhia Nipônica do Plantio do Brasil; em 1917 funda o Laboratório WOG, com as iniciais de seu nome, em sociedade com o médico e biólogo Benedito de Sá, que participa de uma das equipes municiais formada pelo médico Inácio Castro, para atendimento ao SOS do governo norte-americano para obtenção de produtos da flora amazônica destinados às doenças tropicais nos EUA.  Produziu, no Laboratório WOG, concentrados xaroposos de frutas da Amazonia, ressaltando o do buriti e tucumã pelo maior teor de vitaminas que contém. Possuia um mostruário elucidativo das doses do guaraná, da fabricação de refrigerantes e obtenção do amido extraído de árvores produtoras de fibra. Possuia também um mostruário de ampolas de óleo canforado, preparado com puríssimo óleo de patuá.

Foi o primeiro no Brasil a industrializar a cafeína extraída da fuligem das chaminés  de torrefação de café. Foi autor de planta se projetos para construção de balneários em Portugal. Diretor e contabilista de vários hotéis. Retornando ao Pará, foi assistente particular de Paul Le Coint, diretor da Escla de Química do antigo Museu Comercial do Pará. Novamente com Benedito Sá foi o primeiro no Norte  do Brasil a fabricar anódios de ferro para soldagem. Foi também o primeiro a fabricar livros de borracha.

Chegou ao Amapá em 1935,. conseguindo, através de decreto presidencial, licença para explorar cassiterita, tantalita e columbita. Em Macapá foi autor do primeiro mapa assinalando a ocorrência de minérios na região do Amapari, catalogando 79 igarapés, trabalho esse executado em dois anos, sem qualquer ajuda de terceiros. A Companhia de Mineração, montada em 1935 no Amapá, chegou a movimentar 200 garimpeiros, mas teve de desativá-la por terem sido sabotadas e destruídas suas máquinas e aparelhos. Foi obrigado a vender todos os haveres da companhia, inclusive a concessão do terreno às margens do rio Amapari, organizando em seu lugar um modelar aviário.

Já na fase territorial, recebeu convite do governador do Amapá para orientar a montagem de um museu industrial em Macapá, assumindo a superintendência do Museu Joaquim Caetano da Silva, onde organizou mostruários de madeiras, minerais, fibras e óleos industriais. (Ver Museus). Em 17 de setembro de 1951, por decreto publica no Diario Oficial da União, o Governo Federal aprova relatório de pesquisa feito pelo governador Waldemiro Gomes na região do Cupixi, sobre o estanho. Ver “A Provincia do Pará”, de 18 de setembro de 1951.

Com a implantação do Museu Industrial, que estava localizado na Av. FAB, proximo à Igreja Batista de Macapá, enriqueceu o museu com todo material de suas pesquisas, explorada sno Laboratório WO, sobre Genética das plantas medicinais e estudos dos minerais. Seus ultimos dias foram passados neste museu, quando estava localziado no Macapá Hotel. Em 26 de maio de 1970, pelo decret nº 22, é criado o Museu Joaquim Caetan da Silva, sendo seu primeiro diretor o cientista Waldemiro Gomes.


Em 25 de abril de 1978, o Centro Alemão de Pesquisa do Cancer manifesta interesse nos trabalhos desenvolvidos pel professor Waldemiro Gomes com o pinhão branco, empregado no tratamento do cancer de pele. A equipe que trabalhava com Waldemiro se espantava ao ver aquele senhor de cabelos brancos, trabalhando sem parar, sempre em companhia de seus poucos auxiliares de confiança. Waldemiro Gomes faleceu em Macapá em 1981, aos 87 anos.

sábado, 6 de agosto de 2016

Memória: PADRE FÚLVIO GIULIANO (1939-2007)


Sacerdote e engenheiro italiano, FULVIO GIULIANO nasceu em 1939, na Itália. Faleceu em Gênova, Itália, e faleceu em 5 de junho de 2007. Foi autor dos projetos de construção das igrejas de São Benedito, Jesus e Nazaré e Nossa Senhora de Fátima, em Macapá, além de outras não menos famosas em todo o Amapá..




Chegou em Macapá em 28 de agosto de 1962, antes de ser padre, trabalhou no Amapá nas décadas de 70 e 80 como pintor, arquiteto e missionário do Pontifício Instituto das Missões (Pime). Os últimos trabalho do padre Fúlvio foram os quadros sacros feitos especialmente para a nova catedral de São José, em Macapá.