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sábado, 17 de dezembro de 2016

AREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL DO RIO CURIAÚ



Foi criada através do decreto estadual nº 1.417, de 28 de setembro de 1993. Compreende uma área de 21.676 hectares, está situada no município de Macapá, aproximadamente a 5 km do perímetro urbano da capital. Uso sustentável. Sob a guarda da Sema.
Os pressupostos que levaram a criação da APA do Rio Curiaú, basearam-se nos riscos que a expansão urbana da Cidade de Macapá vinha causando à área de abrangência da bacia do rio Curiaú e seus ecossistemas  e ainda, a preocupação em garantir a territorialidade das comunidades residentes, compostas predominantemente por remanescentes de antigo quilombo afro-brasileiro, assegurando-se assim, a integridade dos seus valores e raízes etno-culturais.


Seus ecossistemas predominantes são:

Mata de várzea – apresentando um regime periódico de inundação, destacando-se pela variedade de palmeiras e outras espécies de valor econômico, usadas na alimentação, na medicina ou com outros fins;
Mata de Galeria – funciona como corredor ecológico e contribui para a manutenção da fauna local;
Campos alagados – se interligam através de uma rede de canais, lagos temporários e permanentes, abrigando um significativo estoque de peixes, além de serem utilizados como pastagens e atrativo turístico, por sua beleza cênica;

Cerrado – cuja importância está ligada à proteção das nascentes do Rio Curiaú, além de ser uma das raras amostras deste ecossistema protegido em Unidades de Conservação no Estado.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Áreas de Livre Comércio no Amapá



As Áreas de Livre Comércio criadas no Território Nacional situam-se no Acre (Baziléia, Cruzeiro do Sul e Epitaciolândia, lei nº 8.857, de 08/03/1994);  Amapá (Macapá e Santana, Lei nº 8.387, de 30/12/1991_; Amazonas (Tabatinga, Lei nº 7.965, de 22/12/1989), Rondônia (Guajará-Mirim, lei nº 8.212, de 19 de julho de 1991) e Roraima (Bonfim e Pacaraima, Lei nº 8.256, de 25 de novembro de 1991)

Criada em 30 dezembro de 1991, pelo decreto federal nº 8.387, e regulamentada em 8 de maio de 1992, através do decreto nº 517, a Área de Livre Comércio de Macapá e Santana (ALCMS)  foi instalada em Macapá e Santama em 5 de março de 1993. É juridicamente controlada pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), possuindo suspensão do Imposto sobre Importação (II) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre as mercadorias estrangeiras que nela entram.

É uma área voltada à comercialização de produtos, existindo, contudo, a possibilidade de instalação de indústrias de beneficiamento de matérias-primas da região.

Com a aprovação da nova estrutura organizacional da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), em 21 de janeiro de 1993, através de decreto assinado pelo presidente Itamar Franco, a Suframa fica com o encargo de gerenciar a ALCMS. A instalação oficial se deu em 05 de março de 1993, no Teatro das Bacabeiras, por ocasião da décima-sexta reunião do Conselho Administrativo da Suframa. O projeto, aprovado na Câmara, foi de autoria do senador José Sarney.

A grande vantagem de instalação da ALCMS foi em razão da proximidade geográfica do Amapá com a América do Norte, União Européia, Japão, China e Taiwan (estes três últimos, em razão do Canal de Panamá).

Em 2 de março de 1993, o Aeroporto de Macapá ganha novo terminal de cargas, adaptado às exigências da ALCMS.

A ALCMS garante incentivos fiscais concedidos pela Suframa a empresas e instituições aqui instaladas, que adquiram produtos para uso próprio, e não para comercialização. Os incentivos fiscais incluem suspensão do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e do II (Imposto sobre Importação), além de reduções de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que chegam a 58% na base de cálculo.

A implantação da ALCMS obedeceu a três fases de implantação: A primeira resume-se à comercialização no varejo, de produtos importados; a segunda inclui a comercialização de produtos no atacado; e a terceira, a industrialização dos produtos.

A implantação de indústrias conta com investimentos do comércio atacadista. O Distrito Industrial, criado em novembro de 1980 e localizado em Santana, conta com incentivos fiscais especiais e pode contribuir para o desenvolvimento da ALCMS.


O comércio amapaense, anterior à ALCMS, era composto de pequenos comerciantes que viviam da venda ao consumidor local, sem perspectivas de contatos externos. Os produtos eram adquiridos em Belém e comercializados em Macapá, caracterizando uma atividade limitada, que pouco contribuía para o desenvolvimento econômico do Estado e sua integração com a economia nacional.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

ADELANTADO DE NUEVA ANDALUZIA


Carlos V, rei da Espanha, que no século XVI concedeu a Orellana o titulo de Adelantado, 
para governar Nueva Andaluzia (atual Macapá) em nome da Coroa Espanhola.

            Adelantado foi um titulo concedido ao navegador espanhol Francisco Orellana, pelo imperador Carlos V, para administrar a região de Nueva Andaluzia, primeiro nome que recebeu Macapá, em 1546, como recompensa aos serviços das descobertas de terras no novo mundo


         Orellana não chegou a tomar posse, em razão de ter errado o caminho de volta, passando seus ultimos anos na ilha de Margarita, ao norte da Venezuela, pensando que estava em Macapá.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

ACIA - ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E INDUSTRIAL DO AMAPÁ


Fundada em Macapá em 26 de julho de 1945, a ACIA, como é mais conhecida, é a entidade patronal mais antiga do Amapá e precursora das demais instituições patronais do Estado. Durante 45 anos foi a única via de interlocução da iniciativa privada produtiva com órgãos admininistrativos do Amapá, de onde surgiram a representação do patronato para os diversos conselhos colegiados no qual o setor produtivo tinha vez e voto.

Entidade sem fins lucrativos, estabelecida em Macapá, na Rua General Rondon 1385, Centro, ela é inscrita no  Cadastro Geral de Contribuintes CGC sob o numero 05.997.572/0001-00. Declarada Entidade de Utilidade Pública pela Lei nº451, de 7 de julho de 1999 (Publicada no DOE nº2087, de 07.07.1999).

Ao ser fundada, a ACIA representava também as atividades da Agricultura e da Pecuária, setor que deixou de representar depois de algum tempo.

Mesmo não tendo a representatividade de grau sindical, com a fundação das Federações da Agricultura, da Indústria e do Comércio, além das associações dos Importadores que congrega os empresários da Área de Livre Comércio, a ACIA ainda continua com fóro privilegiado de interlocaução da grande massa empresarial do Estado.

Na ACIA foram debatidos e assinados os primeiros de muitos acordos coletivos com os comerciários e vários segmentos da Industria, até a constituição de sindicatos patronais.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

ACADEMIA AMAPAENSE DE LETRAS



A Academia Amapaense de Letras é uma instituição fundada em Macapá, em 21 de junho de 1953, pelo coronel Janary Gentil Nunes, que reuniu os intelectuais da terra, entre eles Aracy Miranda de Mont’Alverne, Antonio Munhoz Lopes, José de Alencar Benevides, Paulo Eleutério Cavalcante de Albuquerque, José Araguarino Montalverne, Cora de Carvalho, Amaury Guimarães Farias, Edson Gomes Correa e outros.

Ela foi reorganizada em 31 de agosto de 1988, com a posse de novos membros: Nilson Montoril de Araújo (historiador e novo presidente), Antonio Cabral de Castro (advogado), Aracy Miranda de Montalverne (professora), Estácio Vidal Picanço (professor e historiador), Georgenor de Souza Franco Filho (advogado), Dagoberto Damasceno Costa (historiador), Fernando Pimentel Canto (sociólogo) e Manuel Bispo Correa (professor).


Atualmente ela encontra-se inativa, e toda a documentação da instituição encontra-se em poder do historiador Nilson Montoril de Araújo, que desde a ultima reorganização do silogeu (1988) não promoveu qualquer reunião cultural.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

ABRIGO SÃO JOSÉ, EM MACAPÁ - HISTÓRICO



O Abrigo São José, situado em Macapá no bairro Santa Rita, é uma instituição filantrópica criada em 18 de março de 1965 por um grupo de mulheres voluntárias, que na época, perceberam a necessidade da construção de uma instituição para idosos. Inicialmente a instituição atendia a todos os idosos, sozinhos ou que moravam em casa de filhos, que passavam necessidades ou não. A partir de 1969,em razão do aumento da população de velhinhos, começou a ser implantado um sistema de triagem, levando-se em conta a situação sócio-economica de cada um.

Em 24 de abril de 1968 é inaugurada a Capela Santa Rita, pelo bispo prelado de Macapá dom José Maritano, e a assistência aos velhinhos passou a ser administrada por padres camilianos residentes no Hospital Escola São Camilo e São Luiz. A Casa-Abrigo, no momento de sua inauguração em 1965, tinha 28 velhinhos internos. Hoje (2005) a instituição funciona com profissionais nas áreas de administração, saúde e educação.

Em 14 de março de 2002 o Abrigo são José é transformado em Centro de Referencia para Tratamento de Idosos, com um orçamento anual de R$ 500 mil.

19 a 20 de janeiro de 2012. Qualificação, pela Sims[1], dos servidores da instituição.




[1] Sims – Secretaria de Estado da Inclusão e Mobilização Social.

sábado, 26 de novembro de 2016

POLICIA MILITAR DO AMAPÁ - História



Substituindo a Guarda Territorial, a Policia Militar do Amapá (PMAP) foi criada em 26 de novembro de 1975, pela Lei Federal nº 6.270. Inicialmente foi composta de ex-GTS. Contou primeiramente com um efetivo de 38 oficiais  R2, oriundos do Exército Brasileiro, e três oficiais pertencente à Policia Militar de Sergipe, que efetuaram um curso de adaptação da Policia Militar do Pará, enquanto que  os sargentos foram formados nas PMs de Minas Gerais e Goiás, após concurso interno realizado na própria GT.


domingo, 20 de novembro de 2016

Memória: GRAZIELA REIS DE SOUZA (1923-1980)



Professora Graziela Reis de Souza nasceu em Belém do Pará, em 29 de agosto de 1923. Filha de Raimundo Nonato de Souza e D. Alzira Reis de Souza. 

Estudou o primário no Grupo Escolar Dr. Freitas, e o ginasial no Colégio Paes de Carvalho e o normal na Escola Normal do Estado do Pará, diplomando-se professora em 1943. 

Foi admitida no governo do Território do Amapá na função de professora, em 21 de fevereiro de 1945. 

Atuou como orientadora educacional nos Grupos Escolares da Capital.

Faleceu em 1980, com 57 anos.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Memória: ODILARDO SILVA


Ex-prefeito de Macapá, o engenheiro ODILARDO GONÇALVES DA SILVA administrou a capital do Amapá de julho de 1944 a maio de 1945. Nasceu em Macapá em 31 de março de 1901. Em sua administração foram pavimentadas as ruas  do centro e fez uma limpeza geral nas duas únicas praças de Macapá: Praça Barão do Rio Branco (antes Praça São João) e Veiga Cabral (antes Praça São Sebastião).

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Memória: JOAQUIM CAETANO DA SILVA (1810-1873)



Médico, geógrafo, professor, diplomata e publicista gaúcho, JOAQUIM CAETANO DA SILVA nasceu em Jaguarão (RS) em 2 de setembro de 1810 e faleceu em Niterói (RJ) em 28 de fevereiro de 1873.. Suas pesquisas de geografia e história incluídas na obra L’Oyapok et l’Amazone foram fundamentais para a defesa do Barão do Rio Branco, do Contestado Franco-Brasileiro (V) em que a parte do Amapá, do Oiapoque até a região do Araguari, foi disputada pela França. É o patrono da cadeira nº 19, por escolha do fundador Alcindo Guanaraba, do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil.

Filho de Antonio José da Silva e Ana Maria Floresbina. Concluiu, na França, seus estudos de Humanidades e graduou-se em Medicina, em 1837, pela Faculdade de Montpellier. Em 1838, de regresso ao Brasil, é nomeado professor de português, retórica e grego do Colégio Pedro II, do qual também foi reitor. Leu, em 1851, no Instituto Histórico, do qual era sócio, e em presença do Imperador, a sua Memória sobre os Limites do Brasil com a Guiana Francesa.

Em  14 de novembro.de 1851 foi nomeado Encarregado de Negócios do Brasil na Holanda e, em 1854, cônsul-geral no mesmo país. Em 1853 conduziu, em Haia, as negociações para o ajuste de limites com a colônia de Suriname, questão resolvida muito mais tarde, pelos tratados de Rio Branco e Palm, em 1906.

Em 1861 publicou, em Paris, a magistral obra intitulada L’Oyapok et l’Amazone, na qual aprofundou as idéias exaradas nas Memórias de 1851, deixando definidos os direitos do Brasil ao território que lhe disputava a França e que se chamava O Contestado do Amapá, trabalho do qual muito se valeu o barão do Rio Branco para a vitória que obteve para o Brasil.            Foi ainda diretor do Arquivo Nacional e membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Obras: Fragment d’une mémoire sur la chute dês corps (Montpellier, 1836); Quelques Idées de philosophie médicale. (tese que obteve o grau de medicina em Montpellier, 1837), Memórias sobre os limites do Brasil com a Guiana Francesa. (Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, nº 20, tomo XIV, 1851), L’Oyapok et l’Amazone (Paris, 2 volumes, 1861) e Questões Americanas (Revista do Ihstituto Histórico e Geográfico Brasileiro, tomo 26, 1863).

Às 8 horas de 17 de outubro de 1953, atracam no Trapiche Eliezer Levy, os navios Beberibe e Bracuhi, da Marinha do Brasil, trazendo três urnas mortuárias, um,a cm os restos mortais de Joaquim Caetano da Silva, e do professor de Educação Fisica e chefe escoteiro (o primeiro do Amapá) Dário Cordeiro Jassé. A terceira urna continha terras do município gaúcho de Jaguarão, terra natal de Joaquim Caetano da Silva. A intenção do governador Janary Nunes era a construção de um Monumento em frente ao Cemitério de Nossa Senhora da Conceição (mesmo local onde foi construída a Catedral de São José), onde seria enterrado o célebre geógrafo gaúcho.


 Nota: O monumento não foi construído, o local deu lutar à nova catedral de São José, e os restos mortais de Joaquim Caetano continuam na mesma urna, na reserva técnica do 
Museu Histórico que tem seu nome.

sábado, 5 de novembro de 2016

Memória: DUCA SERRA (1912-2008)



Seu nome completo era EMANOEL SERRA E SILVA. Nasceu em Macapá em 20 de março de 1912. Faleceu em 2008. Trabalhou nas minas do Vila Nova e do Cassiporé. Atuou no Amapá como funcionário da pioneira equipe de combate ao mata-mosquito da malária. Foi comerciante, funcionário publico e federal e aposentou-se na função de policial civil. Ladeado pela família e muitos amigos, faleceu em 2008 com 96 anos em Macapá, após uma longa folha de serviços prestadas à região.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Memória: CHEFE HUMBERTO (1922-1997)



Seu nome completo era HUMBERTO ÁLVARO DIAS SANTOS. Nasceu em Bragança (Pará) em 2 de agosto de 1922, e faleceu em Macapá em 2 de setembro de 1997, filho de Álvaro de Oliveira Santos e Aurélia Dias Santos. O seu amor pelo escotismo já se configurava entre a infância e adolescência, na sua cidade natal. Desde cedo já praticava esportes, principalmente o futebol, sempre com a orientação de seu pai, grande desportista de Bragança, e pelos seus professores e chefes escoteiros.

Quando completou 12 anos, a família transferiu-se para Belém, e ele se formou em guarda-livros (correspondente ao curso de Contabilidade, nível médio), na antiga Escola de Ciências e Letras de Belém. Seu primeiro emprego foi na Companhia das Docas do Pará, em Belém, como despachante. Teve contatos com o pessoal do Clube do Remo, e foi aceito como aspirante, passando também pelo Paysandu Esporte Clube.

Em 1947 recebeu convite do presidente do Esporte Clube Macapá, Acésio Guedes, para jogar em Macapá, e Humberto aceita o convite com a condição de conseguir um emprego, o que prontamente o governador do Territorio do Amapá, Janary Nunes, conseguiu pela Legião Brasileira de Assistência (LBA). O azulão da Avenida FAB estava em seu melhores momentos de glória, e com reforço do jovem atleta, ficou melhor ainda, ganhando vários campeonatos. Também ele foi um dos fundadores do Juventus Esporte Clube, reestruturou o São José (Sociedade Esportiva e Recreativa São José). Também foi um dos fundadores do Trem Desportivo Clube em 1947.

            Como escoteiro, Humberto participou da fundação  da Associação de Escoteiros Veiga Cabral. Apoiando os dirigentes Glicério Marques, Clodoaldo Nascimento e José Raimundo Barata, presidiu a solenidade de juramento à Bandeira, do primeiro grupo de escoteiros composto pelos então jovens Adélio Rodrigues, Altair Lemos, Edival Trindade, Eduardo Campos, Expedito Cunha Ferro (futuro 91), Lourenço Almeida, Lourival Fernandes, Luciano Pantoja,  Mair Bemerguy, Pedro Monteiro, Raimundo Nonato Filho e Ubiracy Picanço. Com o apoio do Governo e dos chefes escoteiros, Humberto integrou a formação da primeira “Ala de Pioneiros”. Em 1953 juntou-se ao padre Vitório Galliano e Expedito Cunha Ferro para a fundação da Tropa São Jorge, com a participação de jovens do Oratório São Luiz, da Paroquia de São José (Casa dos Padres). Também participou da construção do Grupo de Escoteiros Veiga Cabral, que passou a ser denominado de Centro Cultural do Laguinho.

            Na Educação, Chefe Humberto coordenou a primeira Colônia de Férias para os alunos que tiraram as melhores notas no período escolar de 1946, de um total de 94 escolas, sob orientação dos chefes Clodoaldo Nascimento, “91”, Raimundo Barata, e orientação espiritual do padre Vitório Galliani. Também o primeiro campeonato estudantil de 1950, com a participação de escolas municipais, teve a coordenação do Chefe Humberto. Em 1947 participou na organização e documentação e fundação do Grupo de Escoteiros do Mar Marcilio Dias.
            Amante do Teatro, encenou no barracão dos padres e no Centro Cultural do Laguinho, com a participação da então jovem carnavalesca Alice Gorda, peças teatrais como “Dona Baratinha”, “João e Maria”, “O Cordão do Papagaio”, “O Cordão do Urso”, “Boi Pai da Malhada”, “Cordão do Uirapuru”, “Cordão do Japim”, “Martim Pescador” e outras de cunho folclórico.

            Mas o Golpe Militar de 1964, que muitos insistem em denominar “Revolução” (o que é um verdadeiro contrassenso), colocou os chefes escoteiros, no Amapá, como corruptores de menores. Para não ser preso, chefe Humberto refugiou-se no Colegio Diocesano, sob a proteção do bispo d. Aristides Piróvano.

            Seu ingresso na política foi como candidato a vereador de Macapá, fazendo sua campanha junto ao eleitor jovem, recebendo muito apoio. Tomou posse no dia 1 de janeiro de 1970, tendo como companheiros, Antonio Carlos Cavalcante, Laurindo dos Santos Banha, Lucimar Amoras Del Castillos, Orlando Alves Pinto, Paulo Uchoa, Pedro Petcov, Stephan Houat e Walter Banhos de Araujo. Seu trabalho no legislativo provocou uma serie de reeleições, permanecendo até 1988, somando-se 18 anos de trabalhos voltados às comunidades carentes distantes de Macapá, como o Bailique, e as regiões da Pedreira e do Pacuí.

            Casou-se com Gilberta Alves dos Santos. Aposentou-se pela LBA e, até sua morte, dividindo seu tempo entre Macapá e uma propriedade rural n Curralinho. As façanhas de Chefe Humberto estão sendo coletadas, com a ajuda do seu filho David Santos, para que façam parte de uma obra sobre a história da Camara Municipal de Macapá.


            Sua historia tem vários episódios, e uma grande frequência, tanto na vida esportiva, cultural, educacional, política... e humana, porque Chefe Humberto foi uma das grandes e extraordinárias figuras da vida amapaense, desde os periodos pioneiros do ex Território.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Memória: IRMÃ SANTINA RIOLLI (1914-1976)




Religiosa italiana, SANTINA RIOLLI nasceu em Milão em 17 de agosto de 1914 e faleceu em Belém (Pará), em 13 de janeiro de 1976. Filha de familia humilde, estudou em escolas públicas da Itália, formando-se em professora em 1932, e no ano seguinte ingressa no Instituto das Irmãs de Caridade das Santas Bartoloméa Capitânio e Vicença Gerosa, recebendo votos perpétuos em 1936. Chega ao Brasil em 1947, iniciando atividade religiosa em São Paulo até 1950, quando, a convite do padre Aristides Piróvano, transfere-se para Macapá para trabalhar na recém-criada Escola Doméstica de Macapá (antes Ginasio Feminino, atualmente Escola Estadual Santina Riolli).


Em 1966 retorna a Macapá e trabalha no Hospital Geral, recebida com muito carinho por suas ex-alunas. Em 1977 viaja para a Itália em férias e, no retorno, em Belém, insiste em ficar no Preventório Santa Terezinha. Em 12 de janeiro de 1976, ao descer de um veículo, cai e sofre uma fratura na base do crânio. Dois anos depois de convalescência vem a falecer em 13 de janeiro de 1978.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Personagem: D. ARISTIDES PIRÓVANO (1915-1997)


Dom Aristides Pirovano nasceu em Erba, Província de Como e Arquidiocese de Milão, no dia 22 de fevereiro de 1915; faleceu em 3 de fevereiro de 1997. A sua infância foi marcada pelos compromissos escolares e vivida numa família cristã. Ao chegar a sua casa, aos 17 anos de idade levou um choque pelo falecimento de seu pai, vítima de atropelamento. Encaminhado para exercer trabalhos manuais para auxiliar a economia doméstica, começou a descobrir a dureza da vida, os desníveis sociais. Nesse exato momento desabrochou nele a vocação para a vida sacerdotal e decidiu ingressar no Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras - PIME, com sede em Milão. Concluiu o currículo filosófico e teológico ordenando-se padre em 20 de dezembro de 1941. Não podendo partir para as missões por causa da guerra, ficou na espera forçada, defrontando-se com as tragédias que assolavam o país. Seu amor pela liberdade foi o motivo de se insurgir contra as formas de violência, integrando-se ao grupo dos "partigrami" que se dedicava a salvar vidas e ajudar os injustiçados. Foi preso e teve a sorte de ser protegido pelo Cardeal Schuster, que o soltou com recomendação de não continuar nessa luta.

Com o término da guerra, aceitou o convite do papa para atender as populações da América Latina, junto com o Pe. José Maritano, e o pe. Attilio Garré. Fixou seu coração na Amazônia, suas sugestões foram acolhidas pela direção geral do PlME que aceitou o compromisso de destinar seus missionários para o Estado do Amazonas e o recém-criado Território do Amapá. No dia 29 de maio de 1948, chega a Macapá, acompanhado de pe. Arcângelo Cerqua e no dia 19 do mês seguinte chegavam os padres Vitorio Galliani,  ngelo Bubani, Carlos Bassanini, Luiz Vigano, Mário Limonta, Lino Simonelli, Jorge Basile e o irmão Francisco Mazzoleni. Foi assim que o Pe. Aristides Pirovano mereceu sua nomeação de Superior dos Missionários do Amapá. O Território com uma vasta extensão de terras, era assistido espiritualmente pelos padres José Beste e Hermano Elzink, ambos idosos. 
Com a chegada desse reforço, melhorou o atendimento às populações distantes que pediam a presença dos padres. 

O grupo não poupou energias e se dedicou à evangelização, à educação e à formação da família. Vieram outros para participar do trabalho:  ngelo Négri e Simão Corridori em 15.12.1948; Pedro Locati e Antônio Cocco em 18.12.1948, que se espalharam por todos os quadrantes do Amapá enquanto os amapaenses assistiram a esses homens de batina, carregando tijolos, fazendo massa, construindo igrejas, batizando, crismando e casando. Foi por esse trabalho dedicado à promoção humana que se formou uma nova circunscrição eclesiástica na Amazônia. Aristides Pirovano organizou paróquias em lugares estratégicos; designou os párocos; construiu o Seminário "São Pio X"; apoiou o governo na contratação das irmãs para a Escola Doméstica e Hospital Geral. Criou clubes esportivos, cinema, jornal, rádio e o pensionato São José
.

Comandou tudo isso, primeiro como superior dos Missionários, nomeado em 29.05.48 como Administrador Apostólico em 14.01.1950 e como Bispo prelado em 21.07.1955. Registra-se também o seu trabalho e dedicação aos hansenianos da Colônia de Marituba que mereceu os elogios das autoridades paraenses. No dia 2 de abril de 1965 deixa o Território e assume o cargo de Superior-Geral do PlME em Roma. Dom  Aristides Pirovano faleceu no dia 3 de fevereiro de 1997.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Personalidade: NUNES PEREIRA (1892-1985)


Nunes Pereira, em 1958, entrevistando o mestre Julião Ramos e esposa.

Indianista e escritor maranhense, MANUEL NUNES PEREIRA nasceu em São Luis em 26 de junho de 1892, e faleceu no Rio de Janeiro-RJ, em 1985. Percorreu, em seus 40 anos de técnico do Ministério da Agricultura, toda a Amazônia, estudando, pesquisando. É uma das grandes autoridades em Antropologia amazônica. Interessou-se cedo pela literatura oral de algumas tribos indígenas na Amazônia,.
                       
Nunes Pereira foi veterinário do Ministério da Agricultura até a sua aposentadoria e teve alguns de seus opúsculos científicos editados pela Div. de Caça e Pesca do M.A. (O pirarucu, A tartaruga verdadeira do Amazonas e O peixe-boi da Amazônia, tendo sido este último artigo científico publicado, em 1944, no Boletim do Ministério da Agricultura). Escreveu diversos livros, sendo a sua obra mais conhecida Moronguetá - um decameron indígena, conjunto monumental de pesquisas, apresentado por Thiago de Mello (dois tomos), onde constam reproduções de páginas de cartas a Nunes Pereira emanadas de cientistas sociais como Roger Bastide e Claude Lévi-Strauss. Com esses estudiosos o antropólogo maranhense-amazonense travou contato pessoal, quando da passagem deles pelo Brasil. Carlos Drummond de Andrade escreveu, no Jornal do Brasil, uma crônica sobre o autor de Os índios maués, um dos primeiros pesquisadores mestiços brasileiros - era cafuzo, descendente de índios, negros e brancos - a obter reconhecimento científico internacional.

Entre 1957 e 1958 esteve em Macapá e interior do Amapá, realizando pesquisas sobre o universo cultural ampaense, colhendo várias informações que foram publicadas em suas obras e artigos para jornais. Um dos assuntos predominantes foi o marabaixo, e o universo cultural indigena.

Obras publicadas: Baira e suas experiências (1940); Curt Nimuendaju, síntese de uma vida e de uma obra (Belém, 1946); Etnologia amazônica (1940); Moronguetá, um Decameron Indigena (2 volumes, Rio, 1967)Os indios Maué (Rio, 1954); Panorama da Alimentação Indigena (Natal, RN, 1964);



 A cultura indigena foi um dos assuntos predominantes nas pesquisas de Nunes Pereira, no Amapá

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Memória: ROCQUE PENNAFORT (1919-1984)



            ROCQUE DE SOUZA PENNAFORT nasceu na cidade de Afuá (Pará) em 28 de novembro de 1919 e faleceu em Macapá em 2 de junho de 1984. Filho de Raimundo de Souza Pennafort e Ana de Souza Pennafort, descendentes de nordestinos que vieram para a Amazonia explorar a borracha. A história dos Pennafort no Oiapoque começa em 1919, quando seu tio Francisco conheceu o rio. No ano seguinte retornou com sua turma ao lugar que denominaram de Sibéria, acima da foz do riok Pantanari. Francisco mandou fazer uma “derrubada” e construiu um barracão no qual obrigou seus familiares e pescadores. Retornou à ilha Viçosa, onde a maioria dos Pennafort e seus amigos os trouxe para fundar  o pequeno povoado. Com a chegada do engenheiro Gentil Norberto, designado para fundar a Colônia do Oiapque, mais tarde Nucleo Colonial de Clevelândia, os Pennafort receberam indenizações das benfeitorias e desocuparam as terras. O retorno ao Oiapoque aconteceu em 21 de junho de 1921, quando seu tio Francisco acerta com  dr Gentil para contratar colonos.

            Embarcou seus familiares ao navio Oiapoque, onde se encontravam Ana com seu filhos Rocque de 9 anos, José e Norberto, inclusive o capitão Raimundo, pai de Rocque, desembarcaram no Oiapoque a 23 de junho. Depois de navegar durante dois dias, iniciaram a construção de suas casas, cabendo a seu pai o lote nº 2. Era o nascimento da vila de Clevelândia do Norte, com a construção da escola onde o Rocque estudou até  o terceiro ano primario. Teve sua ida igual a todo jovem interiorano, ajudando seus pais na lavoura e na pesca. No ano de 1927, com apenas 15 anos de idade, foi admitido como servente da Escola de Clevelãndia, aí permanecendo até 1934, quando se alistou no serviço militar. Nessa ocasião fez estágio nos Correios e Telegrafos como telegrafista e, em 1935, já era o titular do Correio de Clevelândia do Norte.

            Em 1946 recebe a incumbencia de prestar assistencia às usinas de luz de Oiapoque, Clevelandia, Taperebá e Vila Velha do Cassiporé, instalou o serviço de auto-falante e o primeiro cinema de Oiapoque. Em 1949 é designado prefeito e, nesse cargo, se conheceu o espetacular Rocque telegrafista, enfermeiro, mecânico, piloto de embarcação, técnico agricola, instrutor e professor. Em 5 de setembrto de 1963 assume a Superintendencia do Abastecimento do Território Federal do Amapá, onde permaneceu atgé 1966. Aposenta-se em 1967, e em 1968 assume a prefeitura der Mazagão, permanecendo  até 1973. Faleceu em 1984.


domingo, 2 de outubro de 2016

Memória: BENTO MACIEL PARENTE



O português BENTO MACIEL PARENTE foi o primeiro donatário da CAPITANIA DO CABO DO NORTE, criada em 1637. Desconhece-se o dia de seu nascimento. Sabe-se que ele faleceu em 12 de fevereiro de 1642, quando estava prisioneiro dos holandeses, a caminho de Pernambuco. Em 18 de julho de 1621, e é promovido a capitão-mor do Pará por atos de bravura, entre eles as expedições bem sucedidas contra os invasores do Cabo do Norte. Em 23 de maio, em atendimento às denuncias feitas por Maciel Parente às coroas portuguesa e espanhola, chega ao Cabo do Norte com Luis Aranha de Vasconcellos, com a missão de fazer o reconhecimento do “rio das Amazonas” nas imediações do Cabo do Norte, e expulsar os inimigos.

Ao partir para o forte holandês de Mariocai, as tropas de Luis Aranha são cercadas pelo inimigo. Bento Maciel, Pedro Teicxeira, Ayres Chichorro e Salvador de Melo, com 70 soldados e mil indios flecheiross, vão em auxilio de Aranha de Vasconcelos. Dividindo-se o grupo em duas partes, segue Pedro Teixeira com um grupo pela margem direita do Amazonas. Na margem esquerda encontram-se abandonadas outras fortificações holandesas. Em Mariocai conquistam e incendeiam as defesas, e ali foi levantado o forte de Santo Antonio de Gurupá. Em 30 de agosto de 1623, Parente recebe, da junta de Guerra do Conselho das Indias, reunida em Lisboa, a missão de expulsar invasores da região do Cabo do Norte.

Em 1626 (8 de agosto) recebe a incumbência direta do rei Filipe IV, de Portugal e Espanha, de explorar o rio Amazonas. Em 1637 (14 de junho), recebe do mesmo rei a Capitania do Cabo do Norte, criada nesta mesma data. Em 27 de junho é nomeado governador do Estado do Pará, a quem a terras do Amapá estavam anexadas. Em 1638 (27 de janeiro), após receber do rei espanhol a posse da Capitania, chega a S. Luis, instalando, em 27 de fevereiro, em Almeirin, a sede da nova Capitania.

            Em 1º de dezembro de 1640 é restaurado o reino português, após 60 anos de dominio espanhol, com a aclamação de D. João V, da dinastia de Bragança, mas Bento Maciel só sabe da noticia em junho de 1641. Em 25 de novembro de 1641 uma esquadra holandesa de 19 embarcações, enviada pelo principe Mauricio de Nassau-Siegen, chega em São Luis. Parente é feito prisioneiro e enviado a Pernambuco. Não resistindo à viagem, devido às torturas, falece em 12 de fevereiro de 1642

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Memória: BARÃO DO RIO BRANCO (1845-1912)



Estadista brasileiro e diplomata, JOSÉ MARIA DA SILVA PARANHOS, o BARÃO DO RIO BRANCO, nasceu no Rio de Janeiro no dia 20 de abril de 1845, e ai faleceu no dia 10 de fevereiro de 1912. Foi filho do Visconde do Rio Branco, um dos grandes estadistas do Império.Ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, transferindo-se para Recife, onde concluiu seus estudos. Foi promotor publico em Nova Friburgo, e deputado geral pela Provincia de Mato Grosso. Esteve com seu pai, o Visconde do Rio Branco (José Maria da Silva Paranhos), em missão especial no Paraguai. Foi consul do Brasil em 1876 em Liverpool, na Inglaterra. Representou o Brasil em 1884 na Exposição Internacional de Petersburgo. Foi nomeado logo após a Proclamação da Republica do Brasil, Superintendente na Europa, no Serviço de emigração para o nosso país. Em 1888 recebeu o titulo de Barão do Rio Branco, devido a solução da pendência entre Brasil e a Guiana Francesa sobre a região do Amapá.  Foi ministro do Brasil em Berlim, e convidado pelo presidente Rodrigues Alves, para dirigir a Pasta de Relações Exteriores.

Logo depois, conseguiu resolver a questão do Acre, em 17 de novembro de 1903. Firmou-se o Tratado de Petrópolis, que pôs fim a esse litígio. Ficaram marcados a habilidade com que Rio Branco atuou na pasta das Relações Exteriores e o êxito desse brilhante diplomata na resolução de inúmeras questoes de limites com países sul-americanos, e por tratados com nações européias e da América. Foi presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, e membro da Academia Brasileira de Letras. Escreveu diversos livros, entre eles:

Memória Brasileira; História Militar do Brasil;
 Ephemerides Brasileiras;
Episodios da Guerra do Prata;
Questões de Fronteira.

A Questão do Amapá.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Memória: WALTER PACHECO (1927-1990)



Economista paraense, no Amapá desde 1948, WALTER DA SILVA PACHECO nasceu em Breves (Pará) em 24 de junho de 1927, e faleceu em Macapá em 11 de junho de 1990.  Filho de José de Alfaia e Hilda da Silva Pacheco. Chegou ao Amapá aos 21 anos. Bacharelou-se em Economia em Minas Gerais em 1965. Em 23 de outubro de 1948 começa a trabalhar no Governo do Territorio como aprendiz de tipografias, nas oficinas da Imprensa Oficial. Após a conclusão do curso superior em Minas é promovido em 1966 para o quadro de tecnicos de nivel superior, e nesse mesmo ano é nomeado Chefe de Gabinete do Governador (11 de julho). A partir daí assume vários cargos de confiança no Governo do Território do Amapá e do Estado, até aposentar-se. Faleceu com 63 anos.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O ENCONTRO ENTRE CABO ALFREDO E O DITADOR PERÓN NO AMAPÁ


Memória
CABO ALFREDO E O DITADOR PERÓN

Professor, advogado e politico, aposentado pelo Ministério da Justiça. ALFREDO OLIVEIRA, ou simplesmente CABO ALFREDO, nasceu em Bonfim, na Bahia, em 13 de outubro de 1921. Obteve  posto de cabo durante a Seguranda Guerra Mundial, quando serviu  na Ilha Grande, no Rio de Janeiro. De lá seguiu para o arquipélago de Fernando de Noronha. Terminada a guerra, periodo no qual concluiu o curso de Educação Fisica, foi exercer a profissão no então Territorio do Amapá, que foi sua casa por mais de 50 anos, antes de chegar ao Pará.

No Amapá, Cabo Alfredo exerceu 16 cargos publicos, entre os quais os de prefeito dos municipios de Calçoene, Mazagão e Macapá, este por duas vezes. Mas foi no Pará, na Transamazonica, que Cabo Alfredo viveu o que considera sua maior desafio na vida: o desbravamento de grande parte da floresta amazônica.

Também ficou famoso o encontro entre o Cabo Alfredo e o ex ditador argentino Juan Domingo Perón, na Base Aérea de Amapá, durante rota de fuga. O jornalista Euclides Farias, numa postagem de 2 de abril de 2012, no blog do Chico Terra, assim se referiu sobre o episódio que ficou para a história do município de Amapá:

“O motor do Douglas C-47 roncava alto procurando força e a custo conseguiu aterrissagem na base aérea construída na Segunda Guerra Mundial na minúscula e perdida cidade de Amapá, no então Território Federal do Amapá. Era setembro de 1955. Da aeronave desceram o piloto, uma aeromoça e um mito. O avião, emprestado com tripulação pelo ditador paraguaio Alfredo Stroessner, fez o pouso forçado por falta de combustível. Perto dali, o cabo Alfredo Oliveira atendeu a um estafeta e teve que interromper a aula de produção de farinha na escola agrícola do lugarejo para atender a ilustre desconhecido.

·         Bom dia, eu sou o general Juan Domingo Perón.
·         Bom dia – retrucou o cabo, sem atinar para o nome ou relevo do interlocutor. – O que vosmecê deseja?

Começou assim a saga do deposto presidente argentino em plena floresta amazônica, em sua rota de fuga à Nicarágua, segundo o relato feito pelo próprio Alfredo Oliveira, hoje advogado aposentado que, aos 85 anos, vive em Belém, à repórter Aline Monteiro, do jornal O Liberal. Diante das fotografias em que aparece ao lado de Perón já amarelecidas pelo tempo, ele concordou em remexer a memória depois de assistir a baderna que marcou o segundo funeral de Perón, na cidade de San Vicente, na Grande Buenos Aires.

Diz que, com exílio negado pelo Brasil, o máximo que Perón conseguiu, desde que decolou da pista paraguaia e entrou no espaço aéreo brasileiro, foram paradas técnicas para abastecer o avião, ganhar suprimentos e seguir em frente. Uma imprecisão no relato de Alfredo sugere que Perón, em fuga, ocultou o verdadeiro destino. Saindo de Assunção, em linha reta, Manágua fica fora de rota para quem vai à Espanha, onde de fato o general se exilou. O Amapá, sim, fica a caminho de Madri. Por isso menos provável, outra hipótese é que, antes de atravessar o Atlântico, ele tenha pensado em pedir guarida política à Nicarágua.

O fato é que sem auxílio imediato para prosseguir a viagem o general pernoitou na casa de Alfredo. Isso depois de o precavido anfitrião, que lutara na Segunda Guerra e soubera pelo próprio Perón das restrições das autoridades brasileiras, comunicar e obter do governador amapaense Amílcar Pereira a autorização para oferecer abrigo. Foi então que um pedaço da história da Argentina sentou praça e se descortinou naquele lugar ermo.

Alfredo desenha Perón como um homem educado, mas nervoso pelos acontecimentos em seu país e pelo contratempo aeronáutico. Fumante emérito, o general descontava no cigarro. “Na hora de comer, era uma colherada e uma tragada”, recorda. Nas fotografias, o tabagismo de Perón é flagrado em profusão. “Sempre havia”, conta Alfredo, “um cigarro entre os dedos, aceso ou não”. Ficou, também, a impressão de um Perón amargo com o golpe militar que sofrera, depois de ter chegado ao poder por meio de um.
Ex-pracinha e com amizades na base aérea, Alfredo pôs o C-47 de novo no ar com gasolina arranjada de um piloto. Um mês depois, o gesto teria a gratidão de Perón, em carta escrita de próprio punho. Na correspondência, de 11 de novembro de 1955, o general derramava-se: “A hospitalidade que recebemos nesta terra nos força a uma eterna gratidão! Somos todos irmãos! Se pratica no Brasil, em toda a sua plenitude, a nobreza dos homens bons”.



Na lembrança do velho cabo não há sequer resquício do mito, hoje ainda capaz, 55 anos depois do pouso forçado no Amapá e 36 de sua morte, de gerar sangrento pugilismo entre seus fanáticos seguidores das facções militar e operária. “Era um homem comum”, engana-se o bom Alfredo.”

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

JULIO PEREIRA (1954-1994)


JULIO PEREIRA (1954-1994)
SE ESTIVESSE VIVO, FARIA HOJE 62 ANOS

Seu nome completo era JÚLIO MARIA PINTO PEREIRA, que ficou mais conhecido como JULIO PEREIRA, muito querido pela população de Macapá. Nasceu em Macapá, em 27 de setembro de 1954, e faleceu em Macapá, em 24 de julho de 1994. Filho do casal de empreendedores Otaciano Bento Pereira e Irene Pinto Pereira. Estudou na Escola Paroquial São José e no Ginásio de Macapá. Estudou Direito no CEAP, mas parou no terceiro ano. Com 22 anos candidatou-se a vereador pelo Municipio de Macapá e foi eleito, chegando a presidente da Câmara Municipal, de 1982 a 1984.

Em 1987 foi ao Rio de Janeiro para articular com o politico Leonel Brizola, resultando na fundação, em Macapá, do PDT (Partido Democrático Trabalhista).

Também deve-se a ele a criação do JORNAL DO DIA, o primeiro Diario do Amapá, em 1987.

A vida de Júlio Pereira foi meteórica aqui no planeta. Faleceu aos 40 anos, bem jovem mesmo, mas deixou uma série de realizações e sonhos a realizar. A classe de taxistas tem, em Julio Pereira, a conquista de um grande tributo, que foi a criação do 13ª Salário (uso da bandeira 2 no mês de dezembro de cada ano).


Aos poucas a comunidade percebe que o grande legado politico e empreendedor de Julio Pereira está sendo continuado pela sua filha Juline Pereira, conhecida por Juli, e que continuará a carreira politica do pai.

sábado, 17 de setembro de 2016

Memória: CHEFE CLODOALDO NASCIMENTO (1926-1997)



À direita, com a mão no peito: Chefe Clodoaldo Nascimento


Seu nome todo era CLODOALDO CARVALHO DO NASCIMENTO, mais conhecido pela denominação de CHEFE CLODOALDO, pela sua meritosa função de chefe escoteiro. Foi um dos pioneiros do escotismo no Amapá. Nasceu em Belém (Pará) em 10 de setembro de 1926. Faleceu em Macapá, em 27 de junho de 1997. Estava em Macapá desde 1945, a convite do então governador Janary Nunes, para implantar, junto com Glicério Marques o escotismo no Amapá. Foi o fundador, juntamente com Glicério e José Raimundo Barata, o Grupo de Escoteiros Veiga Cabral. Exerceu vários cargos na administração pública.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

MESTRE EPIFÂNIO MARTINS E OS TAMBORES DE SETEMBRO



Mais conhecido como Mestre Epifânio, ANTENOR EPIFÂNIO MARTINS foi educador da era territorial do Amapá. Nasceu em Capanema (Pará) a 7 de abril de 1925. Faleceu em Macapá em 23 de junho de 1999, de problemas cardiacos. Veio a Macapá a partir de 1950, a convite do diretor do Esporte Clube Macapá, Climério Vilhena Andrade. “Logo que cheguei, comecei minha vida esportiva no Macapá, e como mestre artifice passei a lecionar na antiga Escola Industrial, hoje Escola Integrada, antes Ginásio de Macapá. Para se ter uma idéia de que muita coisa mudou, basta lembrar que não existe mais piscina territorial,. Barraca da santa, campo do América, que ajudei a construir. Não se fala mais da “Furiosa”, a primeira banda de música do Território do Amapá, tampouco de pessoas como o mestre Oscar da múisica, chefe Dário do escotismo, mestre Torquato e Glicério do futebol”, relembrou um dia o mestre Epifânio em uma entrevista concedida ao autor desse trabalho, e publicada no JORNAL DO DIA, de 5 de setembro de 1988.

Mestre Epifânio pode ser considerado um dos baluartes do esporte macapaense, juntamente com Pauxy Nunes, Glicério, Emanuel, Menahem Alcolumbre e outros que militaram no setor. “Logo que cheguei, passei a defender as cores do Esporte Clube Macapá e do América Futebol Clube como atleta, tanto do futebol como também do basquete, nos idos de 1950 a 1961. Também fui juiz de futebol da Federação Amapaense de Desportos de 1959 a 1967”. Ele também chegou a ser técnico de times tradicionais como o Esporte Clube Macapá e alguns de Serra do Navio. Marcou presença nos jogos ginásio-colegiais de 1974 a 1976, como membro da Comissão de Disciplina.

 “O general Ivanhoé Martins foi um dos incentivadores do esporte local, principalmente nos jogos ginásio-clegiais. Ele chegou a tomar medidas drásticas para acabar com os referidos jgos, porque a rapaziada não sabia brincar. O ex-ginásio coberto do Colégio Amapáense, hoje Ginásio Paulo Conrado, quase foi virado de cabeça para baixo, por causa do angue quente da moçada, que confundia competição com guerra na selva”, lembrou Epifânio em 1988. Naquela ocasião, ele confidenciou seu respeito pelo desportista Glicerio Marques. “Ao professor Glicério Marques, que também foi chefe dos escoteiros e educador dos mais notáveis no Territorio, devemos a evolução do esporte no Amapá: primeiro presidente da FAD (Federação Amapaense de Desportos), Glicério merece muito ser lembrado na historia do futebol, não esquecendo o velho Pauxy, por cujo intermédio João Havelange chegou à presidência da CBF e aos comandos da FIFA...”

Tal qual Mestre Oscar, de todos os estabelecimentos de ensino que passou, Epifânio fixou-se mais no antigo Ginásio de Macapá. “Foi o governador Janary Nunes que criou o GM, e daí saíram os marceneiros, carpinteiros, artesão, mestres de obra, todos profissionalizados da terra. Pode-se até dizer, sem sombra de dúvida, que a maioria das micro e médias empresas do então Territorio do Amapá cmportaram em seu quadro de funcionarios, ex-alunos do GM; quando não, os próprios proprietários”. Como professor mestre Epifânio militou 25 anos no magistério do GM, que nos anos de 1966 a 1969 funcionou como Escola Orientada para o Trabalho. “Com a reforma da lei 4024 para 5692, a clientela do GM foi se diversificando, abrindo campo para o setor feminino, pois antes era uma escola de regime de semi-internato masculino. Desse tempo para cá, surgiu mestre Oscar como grande baluarte na história da música do estabelecimento”.

Para Epifânio, a comunidade macapaense já não andava tão animada como nos anos 70. “Vale a pena lembrar que os primeiros desfiles escolares foram realizados na Fortaleza de São José de Macapá até 1951. A partir daí, eram feitos em frente à residência do governador. De 1962 para cá, passaram a ser realizados na Avenida FAB. O período da competição era tão bom, que a própria comunidade se envolvia, com várias torcidas como as do “colosso cinzento” ou “garapa azeda”, atribuidos ao Colégio Amapáense; “Piramutabas” (IETA), “Bonequinhos de Anil” (Ginasio de Macapá). Os carros alegóricos nos desfiles eram poucos, mas as bicicletas, todas enfeitadas, ornamentavam as ruas de verde-amarelo, dando um multicolorido todo especial”. Mestre Epifânio fez questão, um dia, de me confidenciar que “as coisas agora estão muito mudadas, e isso é  preço que pagamos pela evolução dos tempos. Por isso mesmo, as mudanças são compreensivas, apesar de muitas vezes não serem aceitáveis por quem já viveu muito”.


            Portador de um arquivo de fotos raras e boas lembranças no seu acervo mental,  Epifanio deixa para nós muitas saudades.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Memória: ARTHUR NERY MARINHO (1923 - 2003)


Autodidata paraense, no Amapá desde 1946, o poeta ARTHUR NERY MARINHO nasceu em 27 de setembro de 1923, em Chaves (Pará). Faleceu em 24 de março de 2003. Filho de Waldemar da Silva Marinho e Raimunda Nery Marinho. Estudou o primário em sua terra natal (1941 a 1944) e o ginásio em Macapá, no Colegio Amapaense (1946 – 1950). Ingressou no quadro de funcionários do Governo do Amapá a partir de 16 de abril de 1946, na função de escriturário mensalista, lotado na Divisão de Obras. A partir desse ano até 1987, exerce várias funções no Governo do Amapá, aposentando-se a partir desse ano.

Casa-se com Marialva Braga Marinho, e é pai de Rosaura, Mariangela e Luciangela, no primeiro casamento. Falecida a primeira esposa, casa-se com Idalgina Nunes, do qual nascem os filhos Teócrito Tibiriçá, Demócrito Tupiaçu, Agildo Iberê e Indiara Patricia. No jornalismo trabalhou nos jornais Amapá, Revista do Amapá, Revista Rumo, Jornal Marco Zero, Jornal A Voz Catolica, além de outros.

O poeta Arthur Nery Marinho faz parte da primeira geração dos poetas modernos do Amapá. Ao lado de Alcy Araújo, Álvaro da Cunha, Aluísio Cunha e Ivo Torres, Arthur desenvolveu importantes projetos culturais. Figura na Antologia Modernos Poetas do Amapá, na Enciclopédia Brasil e Brasileiros de Hoje, na Grande Enciclopédia da Amazônia e na Coletânea Amapaense de Poesia e Crônica. Em 1993 publicou a obra de poesia: "Sermão de Mágoa". Alguns meses após a sua morte, a Associação Amapaense de Escritores fez o lançamento do livro de poesias e trovas: "Cantigas do Meu Retiro". 

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Pergonagem: RAIMUNDO PANTOJA LOBO


Professor, filólogo e escritor, RAMIUNDO PANTOJA LOBO nasceu em Aporema (Tartarugalzinho), no Amapá,  em 10 de novembro de 1930. Estudioso da Lingua portuguesa, sendo considerada a maior autoridade em gramática no Amapá. Autor das obras Respingos de Filosofia e de Ecologia e Pensamentos sobre o Amor. 

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Memória: GIUSEPPE LANDI, o arquiteto da Igreja de S. José, em Macapá


Arquiteto italiano, autor das plantas da Igreja de São José (1761), GIUSEPPE ANTONIO LANDI nasceu em 30 de outubro de 1713 em Bolonha, e estudou e lecionou na instituição de maior prestigio da cidade, na época, a Academia Clementina, na qual ganhou vários prêmios de arquitetura. Aos 38 anos, na condição de desenhista de cartas geográficas, muda-se para a Amazonia a convite do padre João Alvares Gusmão, irmão do secretário de dom João 5º, Alexandre de Gusmão, constituindo a primeira comissão demarcadora de limites, liderada pelo irmão do Marques de Pombal, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, governador do Grão Pará e Maranhão na época, incumbido de demarcar os limites do território sul-americano dividido entre Portugal e Espanha, em 1750, de acordo com o Tratado de Tordesilhas (1492)




A comissão chegou ao Pará em 20 de julho de 1753. Com o fim dos trabalhos, Landi foi o único membro do grupo a permanecer na região, onde casou-se com a filha de um fazendeiro, Ana Tereza, em 1761. Ele acabou se tornando também um fazendeiro e comprou o engenho e a fazenda do Murutucu. Faleceu em 1791, deixando ao patrimonio arquitetonico do Amapá a Igreja de São José, e em Belém (Pará), o Palácio dos Governadores, atualmente conhecido com  Palácio Lauro Sdré e Museu do Estado do Pará; as igrejas de São Joao Batista e Santana, retábulos da igreja da Sé e da Capela da Ordem Terceira do Carmo, além da fachada da Igreja do Carmo, entre outros.